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PRENDAS DE CASAMENTO
Existe uma espécie de “desígnio nacional” relativamente às prendas de casamento que, por mais que tente, nunca hei-de conseguir entender,– ou, mais correctamente, aos convidados que as oferecem! Onde raios está escrito que se tem de comer sempre mais do que o valor da prenda que se oferece??? Por exemplo: alguém oferece uma prenda no valor de 75€... Então, o objectivo dessa pessoa passa a ser o de conseguir comer, pelo menos, até chegar ao valor de 80€. É verdade, é triste e ridículo, mas é a mentalidade retrógrada e egoísta que existe na maior parte deste país!
A maratona de comida começa logo na casa dos noivos. Depois de felicitar o/a noivo/a, e sob pretexto de que a boda ainda vai demorar muito e tem de se comer alguma coisa para não ficar com alguma fraqueza, começa-se logo a empanturrar o estômago com frango, rissóis, croquetes, pudins e mousses, devidamente comidos à mão e acompanhados por vinho tinto. A caminho da igreja, envolvidos pelo odor de fritos e imersos em nódoas de gordura, pensa-se: «10€ já cá cantam no bucho.».
Depois da missa, enquanto se espera pela boda, atacam-se os aperitivos, mas sempre com a mente posta no final da boda, onde se poderão garantir as mais-valias no marisco. Começa-se então com o primeiro dos 3 martinis – ou antes, com gin tónico, porque é mais caro e mais in – para acompanhar patas de caranguejo e calamares fritos, sempre comidos com as mãos, à boa maneira portuguesa. Seguem-se os camarões, que contribuem com a sua quota parte para encher os fatos de nódoas, e depois as entradas: amendoins, cajus, chouriço, morcela, queijo, presunto, feijoada, bacalhau, polvo... «Mais 10€. Nada mau!».
Começam os pratos principais. Sopa, prato de peixe, prato de carne (muitas vezes, são servidos 2 pratos de peixe e 2 de carne!), muito vinho branco, ainda mais vinho tinto, repetem-se os pratos porque está tudo muito bom, levanta-se da mesa no intervalo entre os pratos, para ajeitar o estômago e desapertar uns quantos botões do cinto, volta-se a sentar e comer... Come-se tudo o que se põe na mesa. Daí a pouco, despem-se casacos, tiram-se gravatas, transpira-se imenso do esforço que se faz para comer o máximo possível, aparecem manchas de suor no peito e debaixo dos sovacos, escorre suor pelo rosto... «Está imenso calor. Mas pelo menos consegui emborcar 30€...».
Abre-se a mesa dos doces. Corre-se para lá, come-se um bocado de todos “apenas para os provar”. Para desenfastiar, recorre-se à mesa de queijos e enchidos, para depois se voltar à carga nos doces. Por fim, um digestivo composto por uns 2 cafés, 3 whiskys velhos ou algo ainda mais caro, e um charuto cubano para completar a panóplia de fedores emanados pela pessoa. Dança-se um pouco para digerir a refeição e entrar a todo o vapor na fase final da boda: «Já consegui comer cerca de 65€. Ainda faltam 15€.».
De repente, os noivos chamam: vai-se cortar o bolo de noivado. «Nem gosto muito desse bolo, mas já que é de borla, come-se. Até vem com espumante!». A seguir, aproveita-se a embalagem e ataca-se o leitão à bairrada, para logo em seguida se passar aos mariscos, o supra-sumo: camarão, lagosta, sapateira, acompanhados por umas cervejas. «Aqui é que me vou vingar...». Come-se desalmadamente como selvagens (perdoem-me os selvagens por esta comparação), envoltos num repuxo de molhos que respingam para todo o lado enquanto devoram o marisco até ao vómito estar iminente. Por fim, quando não existe mais nada para comer, bebe-se um cafézinho num último esforço, tentando não rebentar as calças ou a camisa, despede-se do noivo, agradecendo o convite e comentando que estava tudo muito bom, e vai-se embora pesadamente, arrotando alto. «Este casamento foi bom, valeu mesmo a pena. Consegui emborcar cerca de 90€! Porreiro, ainda fiquei a ganhar 15€!!!».
-:: Big Porco ::-
Sexta-feira, Outubro 24, 2003
VAMOS ARREBENTAR COM ISTO TUDO
Preparem-se... Eu já me preparei! Abasteci-me de víveres e água para os próximos meses. Ela vem aí, e vamos todos ser engolidos por ela, quer queiramos, quer não...
É ela, é a Greve prometida pelos estudantes universitários. Contra o quê? Logicamente que contra tudo, ao bom estilo reaccionário e irreverente académico. Desta feita o "bombo da festa", para a pequena minoria (entre os milhares) que realmente sabe a razão por que protesta, dá pelo original nome de algo parecido com NÃO PAGAMOS.
As associações académicas de vários institutos superiores ameaçaram levar o seu protesto para as ruas, perturbando desse modo a vida quotidiana de milhares de pessoas, cuja única ligação com os estudantes é o facto de pagarem os seus impostos para que estes últimos possam “continuar a estudar” com enormes regalias. Os americanos, durante a guerra no Kosovo, referiam-se ao facto de atingirem alvos inocentes inadvertidamente como “danos colaterais”, menorizando friamente tais actos.
Não interessa que se prejudiquem inocentes, desde que sejam atingidos os objectivos! Observamos isso em muitas partes do Mundo. Ontem, os (alguns) estudantes universitários levantaram as suas vozes em protesto mediante a convocação de uma greve. Hoje cortaram estradas e pontes. Amanhã entrarão em autocarros e restaurantes com cintas de explosivos. E depois, o que se seguirá? Desviar aviões e despenhá-los contra as Amoreiras, para assim fazer ouvir os seus protestos?
PS: Para que conste e não seja mal interpretado - o Lobo Mau não é contra manifestações cívicas quando elas têm razão de ser, nem contra os estudantes universitários! É, sim, contra toda e qualquer manifestação que prejudique a liberdade de outros indivíduos que nada têm a ver com as razões que levaram a tal acto...
-:: Big Porco ::-
Segunda-feira, Outubro 20, 2003
ISCOS DE PESCA
Por norma, quando vou à pesca, costumo utilizar como isco a minhoca. Para minha infelicidade, raramente pesco alguma coisa.
Ultimamente sinto-me tentado a experimentar um outro tipo de verme, diferente da minhoca, como isco de pesca: será que os peixes comem políticos? Ou um certo tipo de advogados?...
-:: Big Porco ::-
Sexta-feira, Outubro 10, 2003
JUSTIÇA PORTUGUESA
"A justiça funciona! A justiça funciona!" foram as palavras mais ouvidas ontem no Parlamento português, após a libertação do deputado Paulo Pedroso da prisão preventiva a que se encontrava sujeito desde Maio, no âmbito do processo de pedofilia na Casa Pia em Lisboa. Para gáudio dos deputados da nação e júbilo dos políticos em geral, o Tribunal da Relação de Lisboa, sensível às instâncias da classe política (instâncias, não pressões...), revogou a decisão do juíz-herói do momento, Rui Teixeira, e considerou inóquos os motivos pelos quais Paulo Pedroso foi detido. Consta ainda que o deputado pondera a hipótese de pedir ao Estado uma indemnização pelos danos sofridos ao longo de toda esta "cabala política contra si e o Partido Socialista".
O Lobo Mau sabe, de fontes fidedignas, que Saddam Hussein, secundado por Osama Bin Laden, enviaram já as congratulações pelo funcionamento da justiça portuguesa ao Presidente da República, Jorge Sampaio, através de uma cassete video divulgada pela al-Jazeera, onde afirmaram convictamente que, se forem capturados devido às injustas conspirações que sobre eles recaem, pretendem ser julgados em Portugal, o país da "justiça justa". Foi ainda possível apurar que altos dirigentes de várias entidades de cariz marcante internacionalmente - das quais se destacam o Cartel de Medellin, a ETA e a Cosa Nostra -, após mais esta demonstração da infalibilidade da justiça portuguesa, pretendem estabelecer-se no nosso país e adquirir nacionalidade portuguesa, para desse modo poderem exercer um dever cívico que consideram profundamente altruísta, ou seja, serem políticos desta grande e justa nação que se chama Portugal, para assim defenderem melhor os supremos interesses de todos nós!!!
-:: Big Porco ::-
Quinta-feira, Outubro 09, 2003
INDIGESTÃO
Há pouco tempo fui passar um fim-de-semana com alguns colegas numa das praias nos arredores de Peniche, tentando aproveitar da melhor maneira possível as curtas férias que me foram concedidas. Nada de especial se teria passado, se não fosse o caso de termos descoberto um espécime vivo de uma mutação genética num ser humano, o qual acho pertinente ser descrito.
Entre os banhos no mar, de manhã, e os banhos de Sol perigosamente cancerígenos do início da tarde desse Sábado, resolvemos almoçar num dos típicos restaurantes penicheiros, em esplanadas à beira da estrada marginal que rumava ao cais de pesca velho. Pela minha parte, alinhei num arroz de tamboril, acompanhado por um vinho branco da minha região, e devo dizer que adorei o almoço! Pelo menos até à parte dos pagamentos... Não que fosse muito caro, antes pelo contrário, os preços estavam razoáveis.
O que me ia causando uma indigestão foi a estúpida da mulher que fez as contas do almoço. Como é possível que deixem uma mulher, que nem sabe contar os dedos da sua própria mão esquerda, ter uma função com esta responsabilidade? Como fazer entender àquela acéfala que 2+2+1+1+3 eram 9 e não 8??? Depois de todos termos pago, a ignorante veio acusar-nos de faltar pagar 1 pessoa. Pior que isso, depois de lhe termos mostrado os comprovativos que tínhamos todos pago a conta, continuou a insistir que faltava ainda pagar 1 de nós – estaria eu perante um exemplar da regressão intelectual da espécie humana para o nível primata pré-histórico?
-:: Big Porco ::-
Segunda-feira, Outubro 06, 2003
SANTIFICAHOLIC
Nascido e criado no seio da mui numerosa família da Igreja Católica Apostólica Romana – onde somos vulgarmente apelidados de católicos –, devoto praticante e participante em numerosas actividades relacionadas (catequese, escutismo, grupo juvenil católico), optei por me afastar voluntariamente da prática religiosa aquando do início da minha vida universitária. Não porque existissem incompatibilidades, mas antes como o culminar de um longo processo interior de meditação existencial acerca da fé religiosa em si, ou seja, as minhas dúvidas e divergências, surgidas aquando da tomada de consciência a respeito da religião na adolescência, que me impediram de continuar a levar a minha cada vez mais falsa vida de “católico praticante” algo cínica.
Toda esta narrativa vem a propósito da notícia de que o Papa resolveu canonizar mais 3 santos, que assim se juntam aos cerca de 1 736 527 234 já existentes. No meu imaginário infantil, os santos eram personagens todo-poderosas, que faziam milagres, curavam pessoas, matavam dragões, voavam e morriam sob enorme martírio – enfim, eram pessoas sobre-naturais divinamente escolhidas, a quem deveríamos prestar culto e seguir os seus ensinamentos. Até há 15 anos atrás, teria pensado: “Coitadas das pessoas que cantam as ladaínhas dos santos. Se continuar assim, em lugar das 5 horas que demora a evocar o enorme rol de santos, passarão a ser 20 horas!”. Hoje penso de maneira diferente: “O Papa deve ser viciado em canonizações!”. Se até à ascensão de Karol Wojtyla a Sumo Pontífice somente uns quantos iluminados foram santificados, João Paulo II canonizou mais pessoas do que os seus antecessores desde pelo menos o séc. XVI... Começo a pensar que o que seriam vidas de excepção passíveis de serem reverenciadas se tornaram agora vulgaridades: “Vou ser santificado, já que impedi aquele miúdo de atirar uma pedra ao cão vadio do bairro!”, ou “Sou um santo, dei uma moedinha ao arrumador de carros.”, ou ainda ” Em breve serei canonizado, pois cumpri os meus deveres e paguei o que achei justo nos impostos.”
O ultra-conservador (retrógado?) Cardeal Ratzinger pediu, recentemente, para rezarem por João Paulo II, que se encontra com a saúde muito debilitada. Ainda assim, conseguiu arranjar forças para estas canonizações! Faz-me lembrar as pessoas viciadas que, no leito da morte, ainda sucumbem aos desejos de que se tornaram dependentes e, em muitos casos, os levaram a tal situação – uma última bebida, um último cigarro, um último “chuto”, uma última canonização...
-:: Big Porco ::-
Domingo, Outubro 05, 2003
TIQUES DOS PORTUGUESES parte1
1. Contar coisas que os amigos pediram encarecidamente para não comentar
Pois é.
É qualquer coisa do género: "sabes com quem é que eu estive a falar pá... ah não sabias, mas eu pensei que... que se lixe, mas não comentes com mais ninguém porque..."; ou então: "ouvi dizer que tu tinhas dito que eu tinha dito que..." ou melhor, pois... se calhar é melhor não contar.
2. Tunning
Fenómeno que consiste em transformar um carro normal numa coisa tipo ir-à-feira-andar-de-carros-de-choque, tal é o folclore dos extras e da música rural (processo de transformação que inclui o próprio condutor da máquina). Penso que já vi alguns equipados com uma máquina de farturas.
3. Pagar no último dia
Inclui passar horas ou dias, com cara de poucos amigos, acampados numa fila organizada (geralmente os ciganos não estão presentes nestas manifestações de boa cidadania), à espera de trocar 543 moedas de escudo por 2 euros e tal, ou de pagar subservientemente os nossos impostos.
4. Bater palmas de acompanhamento
Sinceramente, uma das coisas que nunca percebi. Passo a explicar, se o artista é bom dispensa-se o ruído; se o artista é mau, ao ouvir palmas, sente-se motivado a continuar e a desafiar a nossa resistência mental (mais ou menos como assistir a uma missa de três horas de pé). Ignore este ponto se gostar de Delfins e Celine Dion.
No próximo texto,
Frase feita, pose estudada e patilha desenhada.
-:: Porco Preto ::-
Domingo, Outubro 05, 2003
VIAGENS NO TEMPO
Sim, é verdade! Sou um génio. Eu já vivia com essa sensação há bastante tempo – mais precisamente, desde que comecei, prematuramente, a falar – e, agora, essa previsão concretizou-se. Algo tardiamente, mas sempre a tempo de receber os merecidos louvores, esta brilhante pessoa que vos escreve passou finalmente de jovem promessa para génio confirmado no panorama mundial!!! Mas como é que este prodigioso futuro Nobel da Física (o primeiro português a receber essa merecida distinção) passou – passará, quando revelar a sua emocionante descoberta – a figurar entre os grandes mitos da ciência, como Pitágoras, Galileu Galilei, Newton e Einstein? Simples, muito simples...
Estando eu a ler um livro do meu colega britânico, o famoso cientista Stephen Hawking, “Breve História do Tempo”, deparei com alguns capítulos onde ele disserta sobre a Teoria da Relatividade de Einstein, teoriza sobre os buracos negros no universo, aborda a impossibilidade prática de se viajar no tempo e refere essas fictícias “passagens temporais” que se convencionou chamar “wormholes” (em português, “buracos de verme”). Pois bem, EU – sim, EU – descobri que ambos estão errados. Este vosso amigo descobriu uma passagem no tempo, um pequeno “wormhole”, bem aqui na Terra. Aliás, penso que posso afirmar ter sido o primeiro a viajar através dele, ainda que involuntariamente. Encontro-me, neste preciso momento, a escrever um livro sobre a MINHA revolucionária descoberta, bem como alguns artigos para as prestigiadas Nature e Science Revue. Poderão ainda brevemente ver-me na CNN e noutros canais televisivos mas, caso aguentem esperar mais uns tempos, poderão ver um filme biográfico hollywoodesco sobre a MINHA pessoa. Ora aí está a grande revelação: o “wormhole” situa-se precisamente... na minha banheira!!! Sim, é verdade! Por muito caricato que possa parecer, o facto é que existe mesmo uma passagem temporal na minha banheira!! Vou explicar-vos melhor, para que não restem quaisquer dúvidas.
Desde pequeno que a minha mãe refila comigo (despacha-te... olha o gás... olha a água... já estás atrasado para a escola... a missa já começou... os outros também querem tomar banho...) por eu demorar muito tempo a tomar banho, isto apesar de eu lhe jurar a pés juntos que apenas tinha ficado na banheira 5 minutos no máximo. Como era muito pequeno, interiorizei que era eu que estava errado, e ao longo destes anos todos, tentei sempre tomar banho o mais rápido possível. Contudo, continuava invariavelmente (segundo os meus pais e o meu irmão) a demorar meia hora, uma hora, e às vezes, segundo eles, duas horas e mais! Como seria possível tal coisa? Para mim, apenas tinha passado o tempo estritamente necessário para me lavar, por vezes (admito, vergonhosamente, tal era o meu terror de demorar aquela eternidade no banho) apenas passava shampoo e sabão muito superficialmente. Mesmo assim, continuava a demorar demasiado tempo dentro da banheira... O que poderia eu fazer contra esta fatalidade que caiu sobre mim? Depois de muito pensar e investigar, cheguei a pensar que o problema seria meu: talvez algum ataque de amnésia que apenas se revelasse quando tomava banho? Não, pois tal não acontecia quando tomava banho noutros locais. Algum acesso temporário de loucura? Também não, pois seria concerteza estranho esses acometimentos de insanidade mental se sucederem somente nas ocasiões em que tomava banho em casa... Algum problema com a água – sei lá, poderia conter soporíferos na sua composição? Que eu saiba, mais ninguém da minha localidade padece do mesmo mal que eu, portanto, não deve ter sido da água. Alergia? A quê? Ao vapor de água? E quando chove, como seria então? Ou quando bebo água, ou chá, ou...??? Talvez seja algum esquema dos meus pais e do meu irmão para me enlouquecerem???!!!!!! Ou talvez eu seja algum extraterrestre neste mundo, sem no entanto o saber? Fruto de alguma experiência? Genética, até?
Ridículo. Como esta obsessão me estava a sufocar, prejudicando-me no meu dia-a-dia, procurei mimetizar a avestruz quando foge: enfia a cabeça num buraco para se esconder do perigo, sem se aperceber que o perigo continua lá. Restou, pois, resignar-me a ser o eterno demorado no banho, assumi-lo e tentando viver com esta adversidade... E foi assim durante estes anos todos, até ontem, quando, durante mais uma dessas sessões de desventura, quando estava no banho, num dos raros momentos de lucidez, a ler a “Breve História do Tempo”, que me dei conta do que estava a suceder comigo!!! Saí do banho como um desvairado, louco de alegria (isto apesar de mais uma repreensão da minha mãe por demorar hora e meia no banho) por ver desvendada a razão de ser do meu triste fado, que tinha de carregar às costas para sempre... Tudo então se dissipou, num “brainstorming”, aos meus olhos: existe um buraco temporal na minha banheira!!! É verdade, a luz no fundo do túnel que é a minha vida pareceu aproximar-se mais e mais... Isto faz todo o sentido! Quando eu entro no banho, dá-se um vórtice temporal e eu avanço no tempo alguns minutos (ou horas). Ou seja, o tempo real que eu levo para tomar banho – estritamente 5 minutos – converte-se, para as outras pessoas, em meia hora, 1 hora, etc. Quando Einstein e Stephen Hawking advogaram a teoria de que o tempo é relativo e não algo absoluto, tinham razão: com efeito, o espaço temporal vivido por mim na banheira é diferente relativamente aos outros indivíduos. Mas, no que eles falharam rotundamente, foi no aspecto de defenderem a impossibilidade de se viajar no tempo. Pois EU viajei no tempo várias vezes (sempre que tomei banho na minha banheira). Contudo, só viajei para o futuro, e apenas breves instantes.
Isso explica também porque todos vocês acham que possuo uma aparência mais jovem para a minha idade. Convido-os a reflectirem um pouco sobre o seguinte assunto: se eu, cada vez que tomei banho (e tomo banho todos os dias) avancei no tempo meia hora, ao fim de um ano terei vivido menos 182,5 horas do que as restantes pessoas. Multiplicando esse número pelo número de anos que possuo, confronto-me então com o facto da minha idade verídica não ser a que me foi atribuída, pois perdi vários anos nestas minhas divagações involuntárias no tempo. Penso, ainda, que as viagens no tempo provocam alguns efeitos secundários, como por exemplo o aumento de peso... Mas nada que não se controle, agora que estou completamente ciente desta circunstância. Assim sendo, resta-me anunciar ao mundo esta fascinante e verosímil descoberta de um portal espacial na minha banheira.
-:: Big Porco ::-
Domingo, Outubro 05, 2003
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