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O ESCANÇÃO – Parte III
Então, comparem lá e digam de vossa justiça:
Sr. Engenheiro António Vaz-Nobre de Santa Ritta:
Cor vermelho vivo, a hesitar entre o escuro e o carregado, sangue, com laivos de notas violetas nos bordos do copo, com enorme concentração e profundidade.
António da Rita:
Que côrzinha, parece o sangue de Cristo!
Sr. Engenheiro António Vaz-Nobre de Santa Ritta:
Infelizmente não está completamente limpo ao nariz, revelando mesmo alguns sinais preocupantes de mofo. No entanto, apesar de um aroma confuso, distingue-se a presença de fruta vermelha, embora discreta, ligeiro floral apelativo e delicado. Numa primeira fase pouco se descortina deste vinho, um perfeito Alcatraz de aromas! Atrever-me-ei mesmo a dizer capaz de uma estereofonia nasal! Algumas nuances metálicas são também evidentes.
António da Rita:
Snif (funganço)! Tem cá um cheirinho… até desentope a naringa!
Sr. Engenheiro António Vaz-Nobre de Santa Ritta:
Surpresa das surpresas, a prova de boca é francamente mais agradável, sendo mesmo de pasmar este ataque inicial! Na boca o vinho é delgado, de concentração ligeira, mas muito, muito bem integrado e carregado de frescura. Acidez demasiado carregada para muitas bocas, carimba-lhe o passaporte para uma longa vida. Estruturalmente não um vinho musculado, afina antes pela bitola da elegância e suavidade. No entanto, fim de boca é palavra que não consta do vocabulário neste néctar.
António da Rita:
Escorrega bem sim senhor! Não arranha nada.
Sr. Engenheiro António Vaz-Nobre de Santa Ritta:
Taninos dóceis mas energéticos, fruta qb, são características que tornam este vinho num bom acompanhante para a mesa. Eis como um nariz que não promete grande coisa se pode transformar numa revelação... Um vinho feito para durar, um vinho sério, um vinho que pode melhorar consideravelmente no futuro.
António da Rita:
Oh menina, venha outro! Uma pinga desta bebe-se a qualquer hora e não faz mal nenhum!
Para esclarecimento dos leitores e para que façam os vossos próprios juízos, refira-se que o vinho utilizado na prova cega foi o famoso Albacarrascense de Cima, tinto, de 1998.
Extracto final, off the record:
Sr. Engenheiro António Vaz-Nobre de Santa Ritta:
Oh’óme, deixe-se lá deeessassss coisassss, pashe lá o copo que o meuu extá vajxioo! Deixe-che de esquisiticesss… ganda pomada, heim! A a arranhou um pouco ao princípio, até choorava eu, massss agora, he he, até deslizaa!
António da Rita:
Ganda pomada heim ó engenheiro, isto é que é… não se atreva a cuspir isso outra vez que é o sangue de cristo que está aqui, heim! Ora esta, onde é que já se viu… ele há com cada um…
Sr. Engenheiro António Vaz-Nobre de Santa Ritta:
Cuspir este néctar, eu?! Vocemessê peenennsa o qeuê dddeeeaaaa mmimiminhah pesosssooa?
-:: Porco Espinho ::-
Sexta-feira, Janeiro 30, 2004
O ESCANÇÃO – Parte II
(quebrando a atmosfera pesada de luto mas repeitando-o)
Ora bem, e continuando, é isso mesmo, o carácter de dependente, tóxico ou não, mas socialmente aceite do escanção, que vos proponho aqui demonstrar, fazendo uma simples analogia literária entre o digno e nobríssimo escanção e o vulgar, ordinário nos dois sentidos da palavra, bêbedo, frequentador de tabernas e cafés duvidosos, às 10:00 à procura do seu cálice de Porto, confesso que nunca percebi porque é que nas pastelarias deste país que existem a cada esquina lá vão servindo discretamente copos de três a estes desgraçados só para se ganhar o quê? 10 cêntimos por cliente, bardamerda também para a ganância, retomando, desculpem o desabafo, vinho do Porto sempre de grande qualidade, e o tal desgraçado que é frequentador também de calçadas, quando calha, vãos de escada, por vezes, celas mais raramente, mas também calha, e outros demais.
Para tal farei uma analogia entre a linguagem do sr. escanção e a do desgraçado, embora há quem lhe ache erradamente graça, onde pretendo demonstrar que, perante o néctar em questão, entenda-se o vinho, as sensações experimentadas por ambos são idênticas, apenas variando o palavreado utilizado na sua descrição. Refiro que os exemplos que apresento são fidedignos e representam, em minha opinião, algumas das pérolas literárias que podemos encontrar no linguajar das duas classes. A recolha de textos aqui apresentada corresponde a uma prova cega de vinhos, feitas nas caves gentilmente cedidas pelo Sr. Afonso de Castro-Ivre, onde se reuniram os mais importantes representantes das duas classes: o Sr. Eng. António Vaz-Nobre de Santa Ritta, os escanções usualmente intitulam-se de engenheiros ou algo do género e têm nomes com duas consoantes iguais seguidas, de Azeitão, e o António da Rita, a que o pariu, Serpense de primeira.
Continua...
-:: Porco Espinho ::-
Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
LUTO
Ainda não refeito do choque de anteontem à noite, na qual assisti em directo pela televisão ao lamentável falecimento de Miklos Féher no final do jogo Guimarães-Benfica, eis que novamente a tragédia bate à porta: de manhã, a caminho do trabalho, acontece um estúpido acidente à minha frente, na auto-estrada... Excesso de velocidade, distracção, más condições atmosféricas, defeitos de construção da via, isso agora não interessa! O certo é que um carro se despistou, após fazer aquaplanning, e embateu violentamente contra a encosta de rocha fronteira à auto-estrada, capotando e sendo projectado para o meio da via. Ainda com o coração apertado pelo sucedido a "Miki", fiquei completamente destroçado, pouco depois, ao vislumbrar na amálgama de metal retorcido em que o carro se transformou, um braço que jazia já sem vida por uma pequena abertura do que antes era uma janela.
Sim, é verdade, estamos todos sem excepção enlutados pelo sucedido ao infeliz jogador húngaro, como aliás pudemos constatar nas maciças manifestações de pesar... Mas e os obscenos números destes massacres nas estradas portuguesas? Será preciso vermos estas tragédias em directo e repetidamente transmitidas pelas televisões até à exaustão para nos enlutarmos perante estas catástrofes? Ou que faleça sinistramente alguém famoso, visto que os anónimos desgraçados são rapidamente esquecidos???
Pouco depois, ouço tocar a sirene dos bombeiros, anunciando outro funesto acontecimento: um comboio abalroou uma viatura numa passagem de nível, provocando mais vítimas. Por último, ao final da tarde, tempo ainda para passar umas largas horas numa sala de espera das urgências de um hospital, por razões familiares de saúde, ouvindo queixas de pessoas angustiadas com as suas enfermidades, que ali se encontravam há mais de 7 horas (!!!) à espera de serem atendidas por, provavelmente, um qualquer médico ou enfermeiro no mínimo descortês.
Peço que me perdoem, mas deste modo não dá... Assim é impossível tentar ironizar humoristicamente com o que quer que seja... Pelo menos hoje, não dá...
-:: Big Porco ::-
Terça-feira, Janeiro 27, 2004
O ESCANÇÃO – Parte I
Digam-me o que disserem, é uma boa desculpa para se andar nos copos e passar-se por quem tem um trabalho digno e honrado.
Essa do escanção, cá para mim, não passa de uma pessoa com problemas de dependência de álcool, que aos olhos da sociedade contemporânea, mas contemporânea dos últimos anos apenas!, não é mais que um doente, mas que soube, e muito bem diga-se em seu abono, encontrar uma maneira de satisfazer o seu vício regularmente, com produto de melhor qualidade que sempre lhe amenizará eventuais efeitos malignos do vício, se é que os há, digam-me quais, sendo ainda pago, e bem, por isso, conseguindo passar por uma pessoa de requinte, e até requerida em muitas ocasiões sociais de gabarito, por vezes até mesmo com membros da nossa nobreza, diplomatas, alguns nobres outros nem por isso, presidentes de todo o tipo, talvez mais burgueses estes, enfim, ministros e secretários de estado, também de todo o tipo excepto nobres de certeza absoluta, lembra-me agora de um membro do actual governo que é uma nulidade que jamais fez algo na vida além de colar cartazes e agora até chegou a secretário de estado, bem fica para outro blog, enfim, e falando do escanção, uma pessoa de bem, o que raio quer isso dizer uma pessoa de bem, há pessoas de bem dizer e que a bem dizer deixam a desejar em relação ao bem que exercem, outro blog, e que, o escanção esclareça-se, ardilosamente conquistou o seu lugar, não tão mau como isso, nesta sociedade fantoche.
Continua...
-:: Porco Espinho ::-
Segunda-feira, Janeiro 26, 2004
GREVE GERAL
Serve este post não para criticar a Greve Geral efectuada na passada Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2004, mas sim para demonstrar uma constatação muito curiosa. Isto porque acho que todos os indivíduos têm direito a fazer greve, desde que seja justa. Até mesmo aqueles que menos precisam, que têm emprego estável, salário garantido, condições de trabalho respeitadas, despedimento quase impossível e que vulgarmente refilam muito e trabalham pouco – leia-se, obviamente, os funcionários públicos na generalidade –, ao passo que os que têm empregos instáveis no sector privado (logicamente), com o estigma do desemprego sempre pendente sobre si, são mal remunerados – quando o são –, não têm direito a regalias, são explorados com horas de trabalho excedentárias e condições de segurança precárias, e que realmente têm razão em se manifestar recorrendo à greve, caso o ousem simplesmente insinuar são imediatamente ostracizados e sofrem represálias, sendo o despedimento o destino mais provável para os contestários...
Mas, como anteriormente referi, não é sobre a Greve Geral que o post incide. Gostaria de constatar uma situação bizarra: durante o dia de ontem, este blog teve uma redução drástica de visitantes! Segundo o indicador estatístico, a maior parte das visitas sucedem-se durante o período laboral (10.00h – 12.00h e 15.00h – 17.00h). Mas como ontem existiu uma greve geral, e tomando como certo que apenas a função pública aderiu em massa (como sempre), tal facto leva-me a supor que a maioria dos visitantes do blog são funcionários públicos que, em vez de estarem a trabalhar durante o horário laboral, “queimam” o tempo e o dinheiro dos contribuintes a “navegar” pela net!!!
Concluo assim que a causa para a improdutividade em Portugal é este blog, O Lobo Mau ou O Triunfo dos Porcos – como queiram chamar.
PS: Irei estar atento ao indicador estatístico na próxima greve geral que fôr convocada, para comprovar a minha teoria. Até porque as greves gerais têm um aspecto positivo: ao contrário do que é habitual, não tive qualquer dificuldade em arranjar estacionamento para o carro...
-:: Big Porco ::-
Sábado, Janeiro 24, 2004
EMANCIPAÇÃO FEMININA
Aqui vai mais um contributo para a perda de 60% dos nossos visitantes, ou seja, o lobby feminino...
Faz-me imensa impressão um ponto de vista feminino assaz peculiar – não generalizado, felizmente – sobre o direito à igualdade entre Homem e Mulher! Com efeito, é de certo modo umbilicalmente narcisista e distorcido: existe igualdade de direitos, excepto se houver menos cadeiras num autocarro do que o número de pessoas presentes, devendo ter a mulher o privilégio de primazia sobre esses lugares sentados; existe igualdade de direitos, excepto para ir combater em guerras, pois o risco de vida nos conflitos bélicos é uma “honra” que apenas cabe aos homens; existe igualdade de direitos, excepto para os casos de assédio sexual, onde a mulher é sempre a vítima, independentemente de ser verdade; existe igualdade de direitos, excepto na política e noutros cargos onde convém existirem quotas de género, de modo a entrar-se pelo sexo e não pelo valor meritório; existe igualdade de direitos, excepto na oferta de presentes dispendiosos, sobretudo jóias, porque é um acto cavalheiresco oferecer tais bens às mulheres.
Na sua ânsia voraz de igualar o homem em tudo, muitas mulheres – evidentemente que não são todas – chegam ao paradoxo de igualá-los ou mesmo ultrapassá-los nos seus piores aspectos: cada vez fumam mais (são já mais os fumadores femininos que os masculinos), bebem mais bebidas alcoólicas, são mais promíscuas, conduzem com mais velocidade... Por outro lado, perderam qualidades que os homens vêm adquirindo, como o saber culinário, o tratar da roupa, cuidar dos filhos e outras tarefas habitualmente imputadas às mulheres.
Não estou a criticar, com este post, o direito à igualdade entre os homens e as mulheres, até porque sou um acérrimo defensor da emancipação feminina. Sob muitos aspectos, considero mesmo que a emancipação feminina foi dos melhores acontecimentos que se realizaram neste último século: com efeito, a maioria das mulheres continuam a fazer o que sempre fizeram até aqui, mas ainda acrescentam o extra de trabalharem e trazerem dinheiro para casa, coisa que anteriormente não sucedia!
-:: Big Porco ::-
Quinta-feira, Janeiro 22, 2004
DIVINO CASTIGO
Hoje comprei uma caixa de cd’s para backups dos meus documentos em suporte informático – não vá o diabo tecê-las –, e aproveitei para comprar igualmente um bom livro para juntar à enorme pilha de livros amontoados sobre a minha mesa de cabeceira, em extensa lista de espera para serem lidos.
Chegado a casa, tentei remover a etiqueta com o preço e, após diversas infrutíferas tentativas, acabei por conseguí-lo, mas pagando um elevado preço: apesar de todos os cuidados e da minha paciente astúcia, acabei por rasgar um pouco da capa, para além de ainda terem ficado restos da etiqueta e da cola. Extremamente furibundo com a situação, visto que acho injusto pagarmos livros caríssimos e termos de aguentar com essas indesejadas etiquetas de preços, larguei aquilo e fui para o pc tentar gravar um backup. Peguei num dos cd’s virgens que tinha comprado, e comecei a tentar tirar-lhe o invólucro de plástico tranparente. Após diversas tentativas sem o conseguir, e ainda de cabeça perdida pelo que tinha sucedido com o livro, tentei rasgar o plástico à força, mas a única coisa que consegui foi rachar a capa do cd. Foi a gota de água! Com a raiva vincada no meu rosto, peguei num x-acto e desferi um corte no plástico, vincando profundamente a capa do cd e... infligindo um profundo golpe no meu dedo!!!
Claro que a visão do abundante sangue que jorrava do golpe no meu dedo aplacou a minha ira, deixando-me em estado de semi-choque. Finalmente, alguns momentos depois consegui estancar o sangue que se esvaía, sem sequer ter desmaiado – ainda estou para perceber como...
O único pensamento que agora me ocorre é que o justo castigo divino para os malditos inventores das demoníacas etiquetas de preços e dos satânicos invólucros de plástico dos cd’s e cassetes, deveria ser o de passarem toda a eternidade no Inferno, a tirarem etiquetas de preços de livros e a abrirem invólucros de cd’s!
-:: Big Porco ::-
Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
BOLACHA MARIA
A Bolacha Maria é um tipo muito particular de doce. Arrisco mesmo afirmar que a Bolacha Maria é o bacalhau da doçaria !!!
Com efeito, o muito português bacalhau é tradicionalmente associado como alimento barato, saboroso, nutritivo e de conservação prolongada, que pode ser confeccionado sob os mais variados modos: bacalhau à Brás, bacalhau à Gomes de Sá, bacalhau à Lagareiro, bacalhau com natas, bacalhau assado com batatas a murro, bacalhau no forno com puré de batata, bacalhau cozido com batatas e grelos, bacalhau frito com cebolada, caldeirada de bacalhau, empadão de bacalhau, pastéis de bacalhau... É escusado - se não mesmo quase impossível - descrever todas as possibilidades culinárias do bacalhau. Isto porque "o bacalhau dá com tudo". Apenas precisamos de estimular a imaginação (e saber cozinhar minimamente) para obtermos manjares de elevar o paladar ao êxtase.
Com a tipicamente portuguesa Bolacha Maria sucede exactamente o mesmo - dá bem com tudo, apenas temos a restrição imposta pelos limites da nossa imaginação! Podem-se fazer numerosos bolos de bolacha juntando doce de ovos, chantilly, creme de chocolate, leite condensado, geleias de frutas, pudim, iogurte, frutas cristalizadas, coco ralado e muitos outros ingredientes. Ou, caso o desejemos, podemos parti-la em pedaços, esmagá-la ou moê-la e adicioná-la depois a inúmeros outros bolos. Ou podemos comê-las simples, ou até barrá-las com manteiga, ou doce, ou...
-:: Big Porco ::-
Segunda-feira, Janeiro 19, 2004
"O MEU PIPI" ACABOU...
Quando o Gato Fedorento afirmou ter denunciado um dos grandes mistérios do século, a identidade secreta de O Meu Pipi, gerou-se imediatamente polémica em torno de tão macabra revelação: O Meu Pipi é a Teresa Guilherme!
Imediatamente se levantaram inúmeras vozes de oposição a tal descoberta, retorquindo que, apesar do vocabulário e do conteúdo javardos se adequarem ao seu estilo pessoal - como é patente no concurso televisivo Big Brother, na TVI, onde esta se sente realmente em todo o seu explendor badalhoco e reles -, a Teresa Guilherme não possuía capacidade para escrever com tão bom português como o demonstrado n' O Meu Pipi.
Desenganem-se os cépticos de tal descoberta... As coincidências são demasiado óbvias para serem ignoradas:
- O Meu Pipi aparentemente desapareceu em meados de Dezembro de 2003 - salvo alguma reviravolta surpreendente -, não dando notícias desde aí;
- Pouco tempo antes chegaram rumores que Teresa Guilherme se preparava para rumar para o canal público de televisão, a RTP1;
- Igualmente pouco tempo antes se soube que a conhecida apresentadora televisiva se ía, finalmente, casar;
- Por fim, o concurso Big Brother aproximava-se a passos largos para o seu final.
Estes factos explicam de forma elucidativa toda a trama que se enredou em torno do súbido fim de O Meu Pipi: a Teresa Guilherme vai brevemente passar a ser uma funcionária pública num canal televisivo público de respeito e responsável, vai-se tornar uma respeitável esposa e, quem sabe, uma dedicada e insuspeita mãe de família. A Teresa Guilherme já não pode manter a mente prevertida e promíscua, já não pode recorrer a concursos televisivos e blogs para descarregar esquizofrenicamente toda a badalhoquice que lhe vai na alma, como uma segunda existência. A Teresa Guilherme agora adoptou (tem de adoptar) um estilo coerente com a sua nova condição. Os dias de baixa grosseria acabaram...
-:: Big Porco ::-
Sábado, Janeiro 17, 2004
OBRIGADO
Encontrando-me neste momento no estrangeiro, isto em relação a quem está em Portugal, e digo isto não para me armar em pessoa importante que está lá fora, antes pelo contrário, para me justificar que, enfim, não tenho aqui à minha disposição um bom dicionário etimológico ou qualquer coisa que o valha para esclarecer uma dúvida de, bom ou não, português, uma questão se me deparou à qual agradecia que, se alguém a sabe, um dos leitores me esclarecesse.
Qual a origem da curiosa expressão de agradecimento, e em meu entender, se me é permitida tal liberdade, estranha e desadequada, "obrigado"? Como todos o sabemos, obrigado é o particípio passado do verbo obrigar, daí, penso, necessitar de um verbo auxiliar conjugado de acordo com as necessidades. Qual será a melhor opção? Algumas escolhas são por mim sugeridas, que dependem, obviamente, da ocasião:
Com o auxilar ser:
“Eu fui obrigado a aceitar o teu favor, que remédio!”
“Eu sou obrigado a agradecer-te, não é?”
“Serei eu obrigado a retribuir-te o que fizeste por mim?!”
Com o auxiliar estar:
“Estive obrigado a aturar-te enquanto me fazias isso, arre!”
“Bolas, agora estou obrigado a fazer-te algo também!”
“Estarei eu obrigado a aturar-te sempre a fazer algo por mim quando já não me interessas para nada?“
Com o auxiliar ter:
“Tens-me obrigado a aturar-te estes anos todos!”
Estes são alguns dos exemplos que me parecem mais comuns. Fica então o repto, ou o rapto se preferirem, para alguém que me possa esclarecer; muito obrigado a retribuir ficaria a tal indivíduo. Quando souber a resposta a tal enigma, aqui a publicarei para esclarecimento de todo o público, sem que contudo tal traga obrigações extra aos leitores que a de me consultarem regularmente. Sou obrigado a agradecer-vos por terem lido este texto, mas, espero, a nada vos retribuir,
-:: Porco Espinho ::-
Quarta-feira, Janeiro 14, 2004
TRABALHO DÁ SAÚDE
Foi com evidente consternação que constatei a veracidade desse sapientíssimo ditado popular que nos advoga que «o Trabalho dá Saúde». Se até iniciar a minha actividade profissional eu escarnecia arrogantemente de tal provérbio, recitando o loquaz senso comum «se o Trabalho dá Saúde, então que trabalhem os doentes», nunca pensei que viria depois a genuflectir-me humildemente perante a ancestral erudição.
Efectivamente, não me posso queixar de ter tido uma saúde débil – antes pelo contrário –, mas pelo menos 2 vezes por ano apanhava uma gripe ou algo do género (felizmente nada de grave) que me obrigava a ficar uns dias em casa, em convalescença. Contudo, desde que me inseri na classe trabalhadora, nunca mais fiquei doente. Nem uma simples constipação, febre, angina... qualquer coisa que não fosse grave, mas que me permitisse ficar uns dias de baixa em casa, a “convalescer”! Nunca tive a oportunidade de faltar ao trabalho por doença, e a única vez que lamentavelmente apanhei uma gripe foi nas férias de Verão, quando tal é menos provável...
Esse facto leva-me, incontestavelmente, a atestar que o Trabalho dá Saúde!
Ainda assim, perguntar-me-ão vocês: se é verídico que o Trabalho dá Saúde, então porque existem tantos trabalhadores com baixa médica? A resposta é surpreendentemente muito simples. A maioria das pessoas que recorrem à baixa médica por motivos de saúde são funcionários públicos, correcto? E, apesar de existirem numerosas baixas fraudulentas, grande parte dos pacientes está, realmente, com problemas de saúde. Não, não de trata de nenhum contra-senso... Isto porque o provérbio não diz que o Emprego dá Saúde, mas sim que o Trabalho dá Saúde! Perceberam? «Para bom entendedor, meia palavra basta», tal como os antigos sábios eruditamente enunciavam...
-:: Big Porco ::-
Sábado, Janeiro 10, 2004
NAÇÃO BENFIQUISTA
Foi quando me sentei em frente do meu fiel pc que me veio subitamente à cabeça uma analogia: a situação do S. L. Benfica lembra a de um país num extremo da Europa! Qual? Qual haveria de ser o país cuja população é quase toda de benfiquistas (segundo as suas palavras)? Portugal, logicamente. Afinal eles tinham razão, o Benfica é uma nação - Portugal - e ambos estão de rastos. Senão vejamos as afinidades:
- a maior parte dos portugueses - seguramente todos os lampiões - julgam que ainda vivem num grande país, sonhando à sombra de grandes feitos e velhas glórias que há muito passaram;
- acreditam que voltarão a ser importantes, só não sabem quando;
- qualquer pequeno sucesso lhes sabe a uma estrondosa vitória;
- grande parte da sua classe dirigente é incompetente, irresponsável, vigarista e com o estigma da prisão – quando não a prisão efectiva – pendendo sobre si;
- vivem com dificuldades extremas, mas dão uma imagem exterior de novo-riquismo, com grandiosas obras incomportáveis para si, vivendo de esquemas duvidosos para cumprir as suas obrigações;
- tudo o que lhes corre mal, é devido a elementos alheios que querem derrubá-los, a culpa própria não existe.
É este o S. L. Benfica de hoje. É este o Portugal de hoje e, sem querer "lançar veneno", de certeza que o país está assim porque a maioria da sua população é benfiquista! Como muito bem sabeis, estes factos não são meras casualidades, são puras evidências...
-:: Big Porco ::-
Quinta-feira, Janeiro 08, 2004
JUDICIÁRIA DETEM SUSPEITOS DE PEDOFILIA
Notícia de última hora: o Lobo Mau conseguiu apurar, junto de fontes internas da Procuradoria Geral da República sujeitas a um rígido sigilo devido ao segredo de justiça, que a Polícia Judiciária efectuou uma espectacular acção na noite de Ano Novo, no âmbito do processo de pedofilia da Casa Pia.
Esta mega-operação surpresa, levada a cabo numa alegada festa privada de final de ano onde participavam destacados elementos do Partido Socialista, foi concertada com a Polícia de Segurança Pública e vinha sendo escrupulosamente definida desde há algum tempo, aquando da recepção de uma “carta anónima” enviada ao Procurador-Geral da República, Souto de Moura, por um alto dirigente do PS, a pedido dos advogados de defesa dos implicados no referido escândalo de pedofilia.
Visando a identificação de eventuais suspeitos, a Polícia Judiciária acabou por deter cerca de 150 pessoas das mais variadas faixas etárias, após terem sido apanhadas em flagrante delito, no momento em que faziam um “comboio” e no qual participavam ainda diversos menores de idade.
A Polícia Judiciária emitiu ainda um mandato de captura internacional, através da Interpol, para um sujeito de nome Charlie Brown, que se suspeita ser cúmplice de Bibi, devido ao facto de todos os detidos mencionarem conjuntamente em uníssono, na altura em que foram surpreendidos – e citam-se aqui as palavras – o «...meu amigo Charlie, Charlie Brown...».
-:: Big Porco ::-
Quarta-feira, Janeiro 07, 2004
MAU PERDER
Acho que ainda posso ter esperanças num desfecho feliz, relativamente às minhas espectativas para este ano de 2004 (ver post “Balanço de Final de Ano”, aqui em baixo), e auguro mesmo um casamento feliz meu com a Kylie Minogue. Senão, vejamos: a minha primeira espectativa já deixou de o ser, para passar a certeza - o S. L. Benfica não será campeão este ano. Lindo!!! Aliás, é precisamente sobre o derby de ontem que este post trata. Evitei fazê-lo ontem à noite, com a cabeça quente, e nem sequer desejaria fazê-lo aqui - corro o risco de perder cerca de 2 terços dos visitantes do blog (sensivelmente a mesma proporção de adeptos lampiões relativamente à população portuguesa), ou seja, da média de 3 visitantes diários, passaria a 1 - eu mesmo!
Não sou um adepto fanático, e apesar do meu semblante hoje irradiar uma felicidade enorme, não provoquei nenhum benfiquista pela vitória do Sporting C. P., pois não gosto que o façam comigo, em caso inverso. Contudo, sucedeu que os lampiões abriram as hostilidades unilateralmente, gritando indignadamente comigo que foram escandalosamente roubados, que é uma vergonha, que o mundo está chocado com o estado do futebol em Portugal, que se não fosse o árbitro ter sido comprado pelo Sporting, o Benfica ganhava à vontade, que não existe respeito pela maior instituição de Portugal e uma das maiores da Europa, que até Deus deve estar às voltas no Céu... E que culpa tenho eu de isso tudo? Porque tenho de ser eu, um simples adepto sportinguista, a ouvir lamentações - quando não insultos - pelas mágoas deles? Acaso serei eu que recebo milhões de euros ou que intervi no jogo para ter de me chatear e aturar estes "doentes do futebol"?
Não digo a ninguém para ser imparcial, pois eu próprio não o consigo ser, mas será o futebol tão irracional que permita que as pessoas sejam mais cegas que os próprios invisuais? Que insultem e usem de violência, que até esfaqueiem e matem adeptos de equipas contrárias? É essa a imagem que esses energúmenos querem dar de uma pretensa instituição que se diz ser a maior de Portugal?
Fiquei extremamente aborrecido com a situação. Não consegui desabafar racionalmente sobre esta situação com ninguém. Mesmo quando tentei falar com a minha mãe, de visita à sua casa, não o consegui - é impossível falar de futebol com mulheres, com qualquer mulher que seja, sem nos afectar os nervos: «O Sporting joga de verde ou de vermelho?» «O que é um trinco?» «O jogador que está na baliza agarrou a bola com as mãos... Não é falta?» «Aquele jogador é bem jeitoso, não é?»... Na net, falei com um cyber-amigo canadiano, mas o meu francês e/ou o inglês dele não permitiram um diálogo exaltado futebolístico. E mesmo quando falei com uma amiga no Brasil, ela respondeu-me que a última coisa que queria saber era de futebol, que queria antes falar de outras coisas. De maneira que... Restou-me o blog... Desculpem-me por isto...
Enfim... Tenho de me conformar e esperar pelo meu destino, que aparentemente já está traçado: «Come, Kylie... rrrrrrrrrrrrrrr... yeha, baby, yehaaaaa...».
-:: Big Porco ::-
Segunda-feira, Janeiro 05, 2004
COMUNISMO IN
Nesta quadra natalícia encontrei o meu amigo pseudo-comunista, do qual falei no post “Pseudo-Comunas”, e sobre o qual tenho meditado. Esse meu amigo, que tal como já referi gosta de se auto-proclamar como “comunista convicto” e acérrimo defensor das virtudes comunistas, tem-me deixado cada vez apreensivo, com as suas atitudes snobs de novo-rico, roçando um elitismo de (suposta) cultura superior avant-.garde!
Num dos meus passeios pela costa, encontrei-o casualmente mais a platinada e plástica namorada, uma “menininha de bem” acéfala que tentava imitar as “tias da linha”. A primeira coisa que fez quando me viu foi perguntar, sorrindo arrogantemente, como ia o “capitalistazinho” – eu, segundo as suas palavras. Respondi, entre a indignação e o cinismo, que ia tudo bem, e retorqui a pergunta. Ele comentou que estava tudo óptimo, e mostrou-me a sua nova máquina de filmar digital que tinha recebido como presente de Natal, assim como a mala de pele e um colar de ouro que tinha oferecido à namorada! Convidou-me para um jantar para ver o seu apartamento novo que os pais tinham comprado em Coimbra, onde estuda, e disse que ia fazer a passagem de ano na Madeira!! E ainda aludiu ao facto de andar a ver quintas para o seu casamento, porque quer “algo em grande”!!! Apesar de o conhecer bem, ainda assim me consegue surpreender...
Como é possível que um “comunista convicto” aja deste modo? Foi então que não pude deixar de lançar um comentário sarcástico. Não consegui evitar: «Opá, eu acho que tu estás no partido errado. Tu não és comunista por convicção... Tu és comunista porque é in dizer-se que se é da esquerda intelectual, é um modo de te afirmares numa vivência geralmente conotada como politicamente dúbia, elitista e supostamente alternativa e avant-.garde. Mas estás um pouco desactualizado, o Partido Comunista já não está no “mundo da moda” que pretendes. O melhor que fazes é mudares para o Bloco de Esquerda...».
Ele esboçou um sorriso amarelo de comprometido, disse que eu, um “porco capitalista” – não sei de onde ele tirou essa idéia –, estava totalmente enganado e que não percebia nada de política, abraçou a estupefacta namorada e despediu-se rapidamente.
Acho que, muito provavelmente, perdi uma jantarada neste próximos tempos... Mas juro que ainda não desisti de tentar compreender os “pseudo-comunas”!
-:: Big Porco ::-
Sábado, Janeiro 03, 2004
BALANÇO DE FINAL DE ANO
Gostaria, se mo permitem – e é claro que sim –, de fazer um breve e pessoal balanço de final de ano, à margem dos milhares que por esta altura abundam por tudo quanto é lado e que já enervam por comentarem sempre o mesmo. Também eu irei contribuir para aumentar a vossa aversão aos balanços de fim de ano.
- Acontecimento do ano: o nascimento do blog de referência para o mundo inteiro – “O Lobo Mau” ou, se preferirem, “O Triunfo dos Porcos” (http://olobomau.blogspot.com).
- Personalidade do ano: não poderia deixar de ser o juíz Rui Teixeira, por ter a coragem de afrontar os poderes instituídos, no âmbito do processo de pedofilia na Casa Pia.
- Facto positivo do ano: o S. L. Benfica continua sem ser campeão.
- Facto negativo do ano: entre o escândalo de pedofilia na Casa Pia até à vaga de incêndios no Verão, passando pela recessão económica, guerras e atentados terroristas, penso que o pior mesmo foi... ainda não ter sido este ano que me tornei rico, famoso e casado com a Kylie Minogue!
Antes de deixar estes factos à vossa consideração, gostaria ainda de referir algumas expectativas para o ano que agora começou:
- 6 milhões de portugueses (lampiões) continuarão tristes e deprimidos com mais 1 ano sem o S. L. Benfica ganhar absolutamente NADA;
- A Celine Dion e os Delfins, para gáudio da população mundial, anunciam o fim imediato das suas carreiras musicais;
- O ambicioso Santana Lopes decide que o cargo de Presidente da República Portuguesa é demasiado pequeno para si, e anuncia a sua candidatura para a sucessão de Deus;
- Os porcos (que não nós) continuarão a dominar Portugal e o Mundo;
- O nosso blog irá prosperar, apesar das enormes dificuldades, sendo publicado em livro e adaptado para um qualquer filme ou série televisiva, permitindo-me ser rico e famoso;
- A Kylie Minogue tornar-se-à minha fã, apaixonar-se-á loucamente por mim, casar-se-à comigo e – surpresa das surpresas – ainda é virgem!!!
-:: Big Porco ::-
Quinta-feira, Janeiro 01, 2004
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